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Traição dos Porongos: um dos motivos para não se orgulhar da Revolução Farroupilha

Foto: Redes Sociais/Nina Fola

No último domingo (20) foi comemorado no Rio Grande do Sul, a Revolução Farroupilha, data símbolo para tradicionalistas em todo o Estado. Contudo há motivos na história da Revolução que não merecem ser celebrados.

Alguns ativistas do movimento negro neste sábado (19) espalharam cartazes com o objetivo de desconstruir mitos envolvendo a data. A ação teve como alvo placas e monumentos dedicados a Bento Gonçalves, principal líder da revolução e escravista da época e ao General Canabarro, que respondeu pelo crime do massacre dos porongos, mas o processo foi arquivado. Os dois são apontados como heróis da Revolução Farroupilha.

O Massacre ou também conhecido como Traição dos Porongos foi o penúltimo confronto da Revolução Farroupilha (18351845)  e ocorreu em 14 novembro de 1844.  A batalha foi a principal responsável pelo fim da maior revolução da história brasileira.

Cartazes foram colados em monumentos dedicados a Bento Gonçalves e General Canabarro. (Reprodução)

O historiador e ex-diretor técnico do extinto Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), Luiz Claudio Knierim, em matéria para a Brasil de Fato, fala sobre a memória coletiva que não é um espaço neutro, mas de discurso político. “Quando se esconde ou não se conta bem o Massacre de Porongos, por exemplo, temos uma razão ideológica, o enaltecimento da figura mítica do gaúcho.”

Antes da criação dos Lanceiros Negros, os negros já tinham tido um papel de destaque em confrontos nacionais, como a tomada de Porto Alegre em 1835 e de Pelotas em abril de 1836. Os grupos eram compostos por escravos negros e alforriados, índios, mestiços e escravos fugidos de outros países, principalmente o Uruguai. Além de soldados e grandes defensores dos farrapos, os negros também trabalhavam como tropeiros, mensageiros, campeiros e ajudavam na fabricação de pólvora e no cultivo do fumo e erva-mate, apreciadas pelo grupo.

Canabarro teria ordenado o desarmamento dos homens que foram atacados de surpresa. Existem divergências no número de mortos, mas entidades do movimento negro apontam que cerca de 600 a 700 Lanceiros foram assassinados, outras versões falam em 100. Vinte sobreviveram e foram mandados para o Rio de Janeiro, onde provavelmente voltaram a ser escravos.

A Guerra dos Farrapos não tinha como objetivo central a abolição da escravatura, que apenas foi encerrada cerca de 40 anos depois. Ainda assim, ela foi de suma importância para por em questão diversos temas que estavam em curso no Brasil e não condiziam com os ideais liberais seguidos pelos farrapos.

Em Caçapava do Sul foi construído em 2004 um monumento em homenagem aos Lanceiros Negros. Atualmente existe um um grupo denominado Lanceiros Negros Contemporâneos, o qual foi fundando em 2003, e se identifica com o termo “gauchismo” e não “tradicionalismo” segundo o manifesto do Piquete Lanceiros Negros Contemporâneos . Estes gaúchos buscam a ressignificação dos festejos e a conscientização dos demais.

Monumento aos Lanceiros Negros, Caçapava do Sul, RS | Mapio.net

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