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Mulher negra agredida por policiais em São Paulo tem medo de retaliação

Um flagrante de uma agressão policial foi exposto neste domingo (12) pelo programa Fantástico, na Rede Globo. O caso mostra uma mulher negra de 51 anos, imobilizada no chão por um dos policiais, em frente ao seu bar em Parelheiros, em São Paulo.

O fato iniciou após um de seus clientes estacionar em frente ao estabelecimento com o som alto, o que incomodou os vizinhos e os levou a chamar a força policial.

Na entrevista para o programa a mulher relatou o episódio traumático. “Eu pedi que ele abaixasse um pouco o som e eu fiquei dentro do bar atendendo. Quando eu saí, tinha uma viatura mais à frente, parada, e um policial agredindo um amigo meu”, falou. “Aí eu fui pedir pro policial não bater mais nele porque ele tava desfalecido já, sentado no chão e o policial dando joelhada no rosto dele”, disse ela.

Conforme a mulher após abordar os policiais, começaram as agressões, “Eu pedi pro policial para parar. O policial me empurrou na grade do bar, me deu três socos. Ele foi me dar uma rasteira, para me derrubar, e quebrou a minha tíbia”, explicou ela.

Ela foi imobilizada no chão, com um dos PMs pisando em seu pescoço. “Eu [ficava] me debatendo e quanto mais me debatia mais ele apertava a botina no meu pescoço”, contou a vítima. O oficial então a algemou e a arrastou pelo asfalto até a calçada “Ele colocou o joelho direito no meu pescoço e o esquerdo nas minhas costelas. Eu cheguei a desmaiar quatro vezes. Quando eu acordei já estava jogada na outra calçada do bar” contou.

Ela precisou passar por cirurgia em sua perna. A viúva, com cinco filhos e dois netos preferiu não se identificar com medo dos policiais ou seus colegas se vingassem.

O policial responsável, pelo ato e seus colegas de trabalho registraram um boletim de ocorrência naquele dia por desacato, lesão corporal, desobediência e resistência. Conforme o documento, a mulher foi caracterizada como “uma senhora descontrolada”, que estaria “utilizando uma barra de ferro para agredi-los”. Ele também foi entrevistado pelo programa e afirmou que não não considera que houve exagero em sua reação contra a mulher. “Meu parceiro que foi agredido por ela. Ela estava sendo contida e levada até a calçada. Não [houve excesso]. Ali foi um meio necessário”, declarou ele.

O caso lembra a abordagem que levou a morte de George Floyd, nos Estados Unidos, que levou uma grande onda de protestos contra o racismo em diversos países.

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