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Indicação de Procedência da Campanha Gaúcha será implementada na Safra 2020

Assume como novo presidente Valter José Potter, Diretor Proprietário da Estância Guatambu, de Dom Pedrito, que em 2014 ocupou a vice-presidência da Associação na gestão que iniciou o processo para obtenção da certificação.

Os Vinhos da Campanha Gaúcha iniciam nesta semana um novo capítulo da Indicação de Procedência com a posse da nova diretoria que colocará em andamento as regulamentações das normativas que constituem o selo e poderão ser aplicadas já aos vinhos da Safra histórica de 2020.

Assume como novo presidente Valter José Potter, Diretor Proprietário da Estância Guatambu, de Dom Pedrito, que em 2014 ocupou a vice-presidência da Associação na gestão que iniciou o processo para obtenção da certificação. Como vice-presidente assume Pedro Candelária, Diretor Comercial da Vinícola Campos de Cima, de Itaqui, membro do Grupo de Trabalho Indicação Geográfica Campanha Gaúcha que começou os estudos em conjunto com a Embrapa e Universidades Federais.

“Não há dúvidas de que a nova IP favorecerá num primeiro momento as vendas e o maior fluxo de pessoas para conhecer a região”, afirma o presidente recém empossado. Num segundo momento, Valter estima novos investimentos e o crescimento do setor vitivinícola como um todo: “esperamos ter o plantio de novas áreas, a ampliação e modernização das vinícolas, o crescimento do setor de turismo, gastronomia e serviços, entre outros fatores que terão grande importância no desenvolvimento regional, numa velocidade de sucesso que dependerá também de uma relação mais “amigável” com a lavoura de grãos da região”, conclui ele.

Valter José é médico veterinário de formação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e já presidiu diversas entidades como a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz | junho 2004 à junho 2007) e do Programa Gaúcho de Produtividade e Qualidade Setor Pecuária de Corte. Seu trabalho e sua empresa já obtiveram mais de 5 centenas de premiações tanto no setor de arroz, como pecuária, vitivinicultura, diversificação, inovação, tecnologia, produtividade e sustentabilidade. Em 1980 foi Ganhador do Prêmio Nacional de Produtividade Rural, categoria Grande Propriedade, promovido somente neste ano, pelo Ministério da Agricultura do Brasil, onde concorreram 500.000 produtores rurais.

Pedro Candelária é formado em Geografia e Planejamento Regional pela Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, e Master em Políticas, Gestão e Projetos pela Universidade de Barcelona, na Espanha. Possui experiência executiva com passagem por diversas startups do ramo de tecnologia e desde 2012 dedica-se ao setor do vinho no Brasil.

“A conquista da Indicação de Procedência para a Campanha Gaúcha com certeza impactará positivamente os negócios ligados ao vinho, além do enoturismo”, afirma Clori Giordani Peruzzo, presidente que teve seu mandato encerrado no final de junho. “O selo representa o reconhecimento da qualidade do vinho produzido na Campanha Gaúcha, que por meio do clima, do solo, da topografia e das tradições locais compõem o terroir da nossa região”, completa ela.

A nova diretoria da Associação dos Vinhos da Campanha Gaúcha além da implementação da Indicação de Procedência tem na sua agenda de trabalho as pautas do enoturismo na regional, estímulo ao consumo de vinhos no Brasil, construção de mecanismos de controle para o descaminho de vinho na fronteira e suspensão do herbicida hormonal 2,4D.

Nova IP deve impactar desenvolvimento regional da Campanha Gaúcha

Protocolada em dezembro de 2017 pela Associação Vinhos da Campanha Gaúcha, a nova Indicação Geográfica (IG) foi o resultado de mais de 5 anos de pesquisa, discussões e estudos de um grupo interdisciplinar coordenados pela Embrapa Uva e Vinhos do Rio Grande do Sul. Aprovada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) no início de maio na modalidade de Indicação de Procedência (IP), a designação poderá ser utilizada pelas vinícolas da região a partir deste ano, para os vinhos finos, tranquilos e espumantes, em garrafa.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o novo selo serve como uma garantia de origem e qualidade para o consumidor, assegurando que o vinho por trás daquele rótulo expressa as características de tipicidade da Campanha Gaúcha. Para tanto, os produtores deverão obedecer a uma série de normas no cultivo das uvas dentro da área delimitada, assim como na colheita e na vinificação. Neste processo, o caderno de Especificações Técnicas da IP define desde as variedades de uva autorizadas, até a etapa de degustação – quando um painel de especialistas avaliará se o vinho poderá ser engarrafado sob a designação.

A região por trás da nova IP

Situada entre os paralelos 29º e 32º Sul, a Campanha Gaúcha encontra-se na mesma faixa de latitude de outras célebres regiões vitivinícolas do mundo, incluindo Argentina, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália. De acordo com o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Jorge Tonietto, trata-se de uma zona ensolarada, com as temperaturas mais elevadas e o menor volume de chuvas entre as regiões produtoras do Sul do Brasil.

Ao mesmo tempo, as parreiras – predominantemente plantadas em sistema de espaldeira – foram estabelecidas em grandes extensões de planície com encostas de baixa declividade, o que favorece a mecanização das colheitas, reduz os custos e potencializa a escala produtiva. Outra característica importante é a boa drenagem dos solos, que somada aos outros fatores propicia a ótima qualidade das uvas. A região tem grande peso na produção nacional de vinhos: segundo a Embrapa, a Campanha Gaúcha é responsável por 31% dos vinhos finos produzidos no país, com 1.560 hectares de área plantadas com vinhedos de vitis vinífera e mais de 5,6 milhões de litros vinificados em 2019.

A excelência da Safra 2020

A excelência da nova safra é endossada por Marcos Gabbardo, especialista em Enologia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa): “o regime de chuvas entre 2019 e 2020 foi 50% menor do que o normal, com uma precipitação 40% abaixo da média entre fevereiro e março, o que possibilitou uma sanidade perfeita das uvas e uma ótima colheita”. O especialista conta que a temperatura elevada também favoreceu a concentração de açúcares nas uvas, que chegaram a desidratar nos vinhedos. Apesar do calor, ele destaca ainda a presença de noites frias na região, o que favoreceu a manutenção da acidez nas frutas.

Com 15 anos de experiência na região, Marcos ressalta que as safras de qualidade não são raras na Campanha Gaúcha: “desde o início dos anos 2000, observamos safras mais quentes e com menor intensidade de chuvas, uma consequência provável do aquecimento global”. E complementa: “existe uma boa harmonia das safras aqui na região da Campanha Gaúcha e isso é refletido nos vinhos, que apresentam uma qualidade bastante estável, principalmente nos últimos 5 anos”. Além do clima, o especialista afirma que a melhoria contínua dos vinhos da Campanha Gaúcha também é resultado do trabalho de pesquisa e capacitação técnica promovido pela Unipampa junto aos profissionais da região.

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