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Jovem doa sangue pela primeira vez na vida após STF derrubar restrições de doação por gays

Bruno Esposito, de 25 anos, conseguiu doar sangue pela 1ª vez após passar por constrangimentos em experiência anterior, mesmo após decisão do STF.
Bruno  à espera da doação, conta que teve que assinar um documento em que atestava que tinha sido idôneo no momento da triagem e entrevista.

“Uma experiência muito gratificante”, foi assim que Bruno Esposito descreveu sua primeira doação de sangue na vida. A doação aconteceu após a decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou as restrições à doação de sangue por homens gays.

Em depoimento ao PD, jovem gay do Rio Grande do Sul relata a experiência de ter doado sangue durante a pandemia do novo coronavírus pela primeira vez. Após sofrer pressão, Ministério da Saúde aplicou decisão do STF publicada em maio que considerou a restrição inconstitucional.

O jovem de 25 anos, morador de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul nos explicou que ao ficar sabendo que o Ministério da Saúde havia emitido um ofício para orientar os hemocentros pelo País a cumprir a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de anular as restrições à doação de sangue por homens gays ficou super animado e ao mesmo tempo em conflito a ir realizar a doação devido a discriminação sofrida por ele após a primeira tentativa fracassada da doação ao Hemocentro da cidade.

Bruno nos explicou que no dia 13 de maio, uma semana depois da decisão do Supremo, agendou um horário no Hemocentro de Porto Alegre passando então pela triagem, onde foi pesado, teve a pressão verificada e uma amostra de sangue colhida. Uma funcionária do hospital o perguntou se já tinha tentado doar sangue. Empolgado, respondeu-lhe que sim, mas que não tinha dado certo da primeira vez e que era um momento muito importante para ele. Nesse momento Espósito foi indagado pela funcionário pelo motivo de não ter conseguido fazer a doação, foi quando a resposta foi clara ‘por que sou gay, me relaciono com homens’ disse o jovem. A funcionaria no mesmo momento lhe respondeu que ele não poderia fazer a doação e que não estava sabendo da decisão do supremo. Desapontado com mais uma tentativa frustrada Bruno voltou para casa.

“No momento em que me disseram que eu não poderia doar, senti que algo a mais foi recusado em mim: minha própria existência. Naquele momento, não foi fácil ouvir que eu não poderia exercitar a minha própria cidadania por ser considerado “inapto” por ser quem sou. Agora, mais de um mês depois, eu não quis criar expectativas. Mas decidi que tentaria de novo. Escolhi ignorar aquela sensação e o medo para fazer algo que valeria a pena. Por mim, por outros.”

Novamente, seguindo os protocolos Bruno foi até o HEMORGS (Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul), Na triagem, se limitou apenas a responder o que lhe perguntado, “Diferente da experiência anterior, não perguntaram qual a minha orientação sexual ou se eu estava dentro do grupo dos HSHs (homens que fazem sexo com homens). Ao contrário: “Você tem namorada?”, questionou o enfermeiro, ao que respondi que não. E me limitei a isso. Em seguida, ele perguntou se eu tive relações nos últimos três meses. De novo, respondi que não” disse bruno

Após os procedimentos Bruno foi colocado na cadeira para fazer a doação

“Permaneci um pouco descrente até ver o final do processo, até ver a bolsa de sangue ser retirada do meu lado e ser levada.”

Então de volta pra casa, mas dessa vez com o sentimento de dever cumprido bruno nos disse que não vê a hora de poder doar novamente e que o sentimento que fica é gratificante.

“Mal posso esperar para doar daqui há dois meses de novo. Sangues como o meu já deveriam importar por si só. Porque, sim, esse sangue poderia importar para a doação, só que existências LGBTs deveriam ser validadas por si só. Ninguém deveria ter que pedir desculpas ou ter receios por simplesmente existir da forma que é.”

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